Semana passada eu dei uma entrevista muito legal para o Felipe Martins, jornalista do jornal O dia, do Rio de Janeiro, ele conheceu o meu canal no youtube, gostou do conteúdo e fez uma matéria especial sobre mim para o blog LGBT do jornal.

Eu gostei muito da integridade da matéria e como ela foi desenvolvida, achei que expressa exatamente o conteúdo do meu canal e qual direção eu quero levá-lo, o que ele representa para mim e a mensagem de libertação que eu quero passar.

Entrevista Felipe Mastrandea O dia 2

Aqui está a matéria replicada para o meu site, confere aí:

Gato, engraçado e sexual, vlogueiro Felipe Mastrandea conquista milhares de fãs na web

O único filtro que ele parece conhecer é o de água. Divertidíssimo, Felipe Mastrandéa vem conquistando fãs no Youtube falando de tudo sem pudores e sem ligar para as críticas dos ‘haters’. É o cara de 1,77 e 74 kg em um corpo definido que tem como um dos bordões o meigo ‘esse é meu jeitinho’. Felipe personifica a desconstrução de um estereótipo do que é ser gay até mesmo para muitos gays. No canal FMastrandea, no Youtube, ele é capaz de fazer um discurso politizado sobre a liberdade do corpo e o direito à nudez e deixar acessível um vídeo em que ao fazer a barba repete inúmeras vezes um ‘descer pra baixo’.

Tudo fica muito natural no jeitinho do paulistano de 27 anos. Gente como a gente, ele erra, acerta, provoca gargalhadas e faz refletir sobre a realidade gay no país.

“O gay no Brasil é visto de duas maneiras: ou a caricatura de novela ou dentro de um padrão heteronormativo. Ou se encaixa numa fôrma determinada pela sociedade heterossexual ou é visto como palhaço de circo. Eu quero mostrar mais complexidade nos meus vídeos. Quero ter o direito de ser sexual ou não, ser afeminado ou não. Eu sou um ser humano e posso me expressar da maneira que eu bem entender. Eu quero ser gay do meu jeito”, definiu.

Em um dos vídeos mais recentes, Felipe dividiu opiniões das pessoas que visualizam seus vídeos ao postar o “Proibido para menores de 18 anos”. A gravação mostra um casal gay em um momento de maior intimidade, nas preliminares da transa. Muitos dos fãs de Felipe o parabenizaram pela coragem, outros tacharam a postagem como gratuita e desnecessária.

Entrevista Felipe Mastrandea O dia

“Os gays no Brasil não têm exemplos de figuras que os libertem. Aqui, se o gay é sexual, é considerado uma ameaça. Eu quero ter o direito de ser sexual. Eu sabia exatamente que simulando um amasso com um namorado no vídeo eu estaria, de uma maneira clara, passando um bom exemplo no vídeo, que é o uso da camisinha e, ao mesmo tempo, dizendo aos gays que está tudo certo em ser sexual. Você tem o direito de ser quem você é”.

De Itapetininga, interior de São Paulo, esse professor de inglês, de 27 anos, formado em Letras e Publicidade, já bateu a casa de 50 mil inscritos no canal que mantém no YouTube. Uma das marcas de Felipe são os bordões, a maioria, do idioma que ensina em aulas particulares, fonte dos recursos financeiros para bancar a produção dos vídeos. Muitas vezes, como todo bom youtuber, gravados de dentro do quarto. E se o cara está dentro do quarto, nada mais natural que fazer um vídeo de cueca…what?

Dono de um corpo trabalhado em academia e dieta baseada em muito frango e batata doce, o rapaz volta e meia aparece sem camisa nas gravações, mostrando que o esforço na alimentação vem dando resultado. A liberdade do uso do corpo foi tema de um dos melhores vídeos de Mastrandea. Na postagem, Felipe reage às reprovações de quem apontou como apelativa sua maneira de se expor. Um manifesto ao direito sobre o corpo.

“Eu sempre gostei de tirar fotos sensuais, atuei como modelo em ensaios que trabalhavam a nudez. Quando eu comecei a postar no canal, algumas pessoas me criticaram. Falaram que eu estava usando o meu corpo para aparecer, diziam que eu estava prejudicando a imagem dos gays, relacionando a promiscuidade e que por isso não somos levados a sério. Essas pessoas estão completamente erradas. Eu tenho o direito de ser sexual, eu tenho o direito de mostrar o meu corpo. Se vão ou não nos levar a sério por esse motivo o problema está com essas pessoas”, argumentou.

“Se o gay quiser transar com cinco, seis numa noite, foda-se, ninguém vai pagar as suas contas, não há nenhum problema nisso. Nós temos que libertar sexualmente as pessoas. Foda-se o que a sociedade pensa. Os gays não podem ficar reproduzindo o discurso da sociedade machista que a gente vive, que só dá direito ao homem heterossexual de transar com todo mundo. Um dos motivos que me levam a fazer os vídeos é mostrar para as pessoas que elas podem ser quem elas quiserem”, concluiu.

Os erros, como o citado no começo do texto, são deixados propositalmente, o que acaba tornando Felipe ainda mais próximo de seu público, distante do perfil de colegas do Youtube que lançam um olhar de cima para baixo. “Praticamente tudo o que as pessoas veem nos meus vídeos aconteceram como lá está postado. Isso tem a ver com a identidade que eu quis para o canal. De ser espontâneo, de ser para eu falar o que eu penso. Não tem roteiro. Eu pesquiso antes sobre o tema que eu escolhi, chego na frente da câmera e falo o que sai da minha cabeça sobre o assunto.

Felipe lembra que chegou a se entristecer com os comentários negativos que recebia de parte das pessoas que comentavam no Youtube, mas hoje, mais escolado com os odiadores da web, sente-se seguro para seguir em frente e publicar vídeos falando sobre o que vier a cabeça, com camisa ou sem camisa, de cueca, de calça, beijando, dando pinta, sambando na cara das inimigas. “A minha responsabilidade é comigo mesmo e com os meus valores. Eu não tenho responsabilidade sobre como as pessoas que estão assistindo recebem os vídeos. Eu tenho responsabilidade sobre aquilo que eu faço e falo. No começo eu me preocupava com os comentários negativos que as pessoas faziam. Isso até me magoava. Com o tempo, aprendi a filtrar tanto os elogios quanto as criticas. A partir do momento que os comentários passarem a guiar o meu trabalho, eu vou começar a me podar. E tudo o que eu quero é ser eu mesmo”.

Bate-cabelo com Felipe Mastrandea

Um cantor – Adam Levine
Uma cantora – Christina Aguilera
Um homem bonito – Adam Levine, Chris Evans, Lenny Kravitz e Bruno Mars
Uma mulher bonita. – Minha mãe
Um livro – Salto Mortal
Filme – As Pontes de Madison
Séries – House of Cards, The Walking Dead, Game of Thtones
Uma frase – Esse é meu jeitinho

KINGS & LIPQUEENS, não esqueça de deixar à sua opinião no link dos comentários logo abaixo do post, ela é muito importante pra mim. <3